dimanche 4 décembre 2016







Pinto a manta

Ao acaso no mar, antes de assustar o mundo deito-me com os sobreviventes, fecho os olhos e pinto a manta, adormecendo. Altero a vida, assobio entre os dentes uma raiva contida. Sou um cadáver no tempo, um esqueleto tardio, de ossos roídos por animais famintos, que vou criando no anúncio do meu a
bandono. estou de crânio aberto pronta a ser esfaqueada, corro atrás da morte, fintando-a. Cruzo uma espada num luminoso momento, balbucio uma jura. Desmantelam-me como um barco
para negociar um estudo, numa aula de anatomia marítima. A minha mão dormente procurava-te na água. Numa assentada, num realismo desiludido, a olho nu, pinto a natureza morta, onde me desnudo e adenso. Descasco a pele, desfolho os ossos, mordo os figos em ramos dobrados que me acompanham na traição... LM

(sinto que me falta o perónio).

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